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sexta-feira, 25 de abril de 2014

ECOFEMINISMO

Hoje volto à atenção ao movimento popular do ecofeminismo para que possamos entender a sua importância e os seus preceitos.

Ecofeminismo é um termo originalmente criado pela feminista francesa Françoise d´Eaubonne em 1974. É a teoria que busca o fim de todas as formas de opressão. Relaciona as conexões entre as dominações por raça, gênero, classe social, dominação da natureza.

Françoise d'Eaubonne, utiliza pela primeira vez o termo ecofeminismo na sua obra "Le Feminism ou la Mort" para referir-se à capacidade das mulheres como impulsoras de uma revolução ecológica que ocasione e desenvolva uma nova estrutura relacional de gênero entre mulheres e homens.


O feminismo pode ser definido como o pensamento e o movimento em direção à igualdade política, econômica e social entre mulheres e homens. A ecologia é o estudo da relação entre grupos humanos e seus ambientes físico e social. A combinação das palavras ecologia e feminismo, o ecofeminismo abraça a ideia de que a opressão das mulheres e a opressão ou destruição da natureza estão intimamente ligadas.

A relação da mulher com a natureza pode se dada pela teoria Gaia onde a natureza é retratada como feminina e as mulheres são frequentemente consideradas mais próximas da natureza do que os homens. A conexão fisiológica das mulheres com o nascimento e nutrição tem levado em parte a essa associação junto à natureza.



Uma das pioneiras do movimento foi Vandana Shiva que lutou por um modelo de desenvolvimento ecológico centrado no papel das mulheres. Nos anos 70 e 80, Vandana Shiva fez parte do movimento Chipko, no qual mulheres indianas protestaram contra exploração florestal industrial ao abraçar as árvores que lhes serviam de fonte de sustento, dando origem à expressão “treehugger” (abraçador de árvores) utilizada para designar ambientalistas.


As preocupações da nova consciência ecológica e feminista se articulam em torno de três eixos: 1) a sustentabilidade ecológica e social, baseada em relações de irmandade/fraternidade para com a natureza e entre os seres humanos; 2) o respeito e a preservação da diversidade biológica e cultural no meio de um sistema que busca a uniformidade e a destruição das diferenças; 3) a participação e a comunicação nas relações sociais e nas formas de governo, inspiradas na democracia como valor a ser vivido em todos os níveis de nossa vida.

Os pontos principais nos quais se baseiam o movimento são os seguintes:

1. A ordem simbólica patriarcal estabelece por igual uma situação de dominação e exploração para as mulheres e para a natureza.
2. O patriarcado faz uso da biologia para situar as mulheres num plano de proximidade com a natureza, identificando-as com ela. Os homens, em oposição, se identificam com a razão, justificando desta forma a superioridade da razão sobre a natureza ou, o que é o mesmo, a superioridade do patriarcado; assim se explicam que as mulheres sejam consideradas inferiores aos homens.
3. As mulheres estão numa posição vantajosa para acabar com a dominação patriarcal sobre a natureza e sobre si mesma, dado que suas próprias situações de exploração as fazem estar mais próximas.
4. O movimento feminista e o movimento ecologista têm objetivos comuns e deveriam trabalhar conjuntamente na construção de alternativas.

BIBLIOGRAFIA:

http://www.servicioskoinonia.org/agenda/archivo/portugues/obra.php?ncodigo=305

segunda-feira, 21 de abril de 2014

DITADURA MILITAR E SEUS IMPACTOS AMBIENTAIS

No inicio do mês de abril desse ano (2014) foi lembrado dos 50 anos do golpe militar de 1964 no Brasil. Vamos entender um pouco sobre as construções e os impactos que esse “governo” realizou no meio ambiente para entendermos o porquê hoje estamos na crise ambiental no Brasil.

Regime ou ditadura militar brasileira foi o regime autoritáriomilitar e nacionalista que se instalou no governo do país entre 1 de abril de 1964 até 15 de março de 1985. A implantação da ditadura começou com um golpe de Estado em 1964, quando as Forças Armadas do Brasil derrubaram o governo do presidente eleito democraticamente João Goulart e terminou quando José Sarney assumiu o cargo de presidente, quando o país foi redemocratizado e teve início a Nova República.

Das diversas obras feitas ao longo dos 20 anos de ditadura, podemos citar algumas:

Expansão Significativa da Petrobrás - Nesse período, a Petrobrás, de 75 mil barris diários, passou a produzir 750 mil.

Essa expansão possibilitou que o Brasil caminhasse para a sua independência na produção de petróleo, porém como não havia ainda preocupação com o meio ambiente e os impactos causados pelas obras muitos foram os problemas de destruição do ambiente marinho em diversos pontos do país a partir de 1968 que foi realizada a primeira descoberta de petróleo no mar, no Campo de Guaricema, em Sergipe.

Usina Hidrelétrica de Tucuruí - "Sua construção foi iniciada em 1975. A obra principal, sendo uma barragem de terra, quebrou todos os recordes mundiais de terraplenagem. Pode-se destacar ainda as obras da casa de força, do vertedouro (o 2ª maior do mundo, o primeiro é a Three Gorges- China), da eclusa e da grande linha de transmissão que interliga Tucuruí à usina hidrelétrica de Sobradinho no Nordeste do Brasil, via Boa Esperança.

A Usina Hidrelétrica Tucuruí é uma das responsáveis pelo atendimento a mais de 99% do mercado paraense
Imagem 1: Usina de Tucuruí

Em seu trabalho “Impactos ambientais da barragem de Tucuruí: Lições ainda não aprendidas para o desenvolvimento hidrelétrico na Amazônia” Philip M. Fearnside diz que os custos ambientais incluem a perda de floresta, que provoca tanto a perda de ecossistemas naturais como a emissão de gases de efeito estufa. Ecossistemas aquáticos são fortemente afetados pelo bloqueio de migração de peixes e pela criação de ambientes anóxicos (sem oxigênio). A decomposição da vegetação deixada no reservatório cria água anóxica e também produz metano.

A tomada de decisões no caso de Tucuruí era praticamente sem nenhuma influência de estudos ambientais, que foram realizados simultaneamente com a construção da obra. A barragem antecede a exigência, de 1986 e as tomadas de decisões foi estreitamente ligada à influência de empresas de construção, o exército, e interesses financeiros estrangeiros no projeto da construção e do uso da energia elétrica resultante (a maioria da qual é usada para beneficiamento de alumínio).
A construção da segunda etapa da usina elevou a capacidade final instalada para cerca de 8.000 MW, em meados de 2010.

Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira - "Em conjunto com a Usina hidrelétrica Engenheiro Sousa Dias (Jupiá), compõe o sexto maior complexo hidrelétrico do mundo. Sua potência instalada é de 3.444,0 MW e tem 20 unidades geradoras com turbinas tipo Francis. Iniciado pelo governador Adhemar de Barros em 1965, a usina foi concluída em 1978."




Imagem 2: Usina de Jupiá
Em um estudo do impacto socioambiental causado pela construção das usinas hidroelétricas da região de ilha solteira foi verificado que suas construções também não tiveram nenhum estudo prévio antes da sua construção que possibilitou um enorme desaparecimento do ecossistema local, além de trazer problemas sociais para as regiões no entorno das hidrelétricas.

Usina Hidrelétrica de Itaipu - A Usina Hidrelétrica de Itaipu é uma usina hidrelétrica binacional localizada no Rio Paraná, na fronteira entre Brasil e Paraguai. Construída por ambos os países no período de 1975 a 1982, Itaipu é hoje a maior usina geradora de energia do mundo.


Usina Hidreletrica de Itaipu: cenário de destaque na história de crescimento Odebrecht e CBPO
Imagem 3: Usina de Itaipu
Em minha opinião as construções de usinas hidrelétricas de grande porte são um investimento arriscado e em um dado futuro, bastante prejudicial tanto para a população quanto para o ambiente. É arriscado porque em situações de extrema seca a usina fica sem funcionar e sem produzir energia para boa parte dos estados que a cercam sobrecarregando assim as outras tendo o risco de apagão em grande parte do país.

E é prejudicial porque em pequenas cidades com certo número de habitantes não consegue abrigar os trabalhadores para a construção da usina gerando sérios problemas sociais como a violência, a prostituição e muitos outros.

Segundo estudo, a usina hidrelétrica produz diversos impactos ambientais, o que faz com que seja motivo de polêmica atualmente com o avanço das discussões sobre desenvolvimento sustentável. Os estudiosos procuram descobrir a dimensão deste impacto a fim de encontrar formas de amenizá-los, uma vez que a energia hidrelétrica é considerada fonte renovável.

Esses impactos ocorrem principalmente durante a construção dessas usinas, quando afetam a fauna e a flora local. O represamento da água contribui para esta destruição, fazendo com que diversas espécies fiquem submersas e morram, aqueles animais que conseguem fugir acabam saindo de seu habitat natural precisando se adaptar em novos lugares.

Não sou contra as usinas hidrelétricas, porém acho que usinas menores geram menos impactos e dão conta de abastecer melhor as populações do que as maiores.

Angra 1 - Angra 1 teve sua construção iniciada em 1972, tendo recebido licença para operação comercial da Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN em dezembro de 1984.

Angra 2 - Angra 2 foi a primeira usina construída a partir do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha, firmado em 1975. As obras civis da usina foram contratadas à Construtora Norberto Odebrecht e iniciadas em 1976 com o estaqueamento.

Usinas de Angra
Imagem 4: Angra 1 e 2
Apesar de ser considerada uma forma de energia limpa, sua manutenção é bem cara e quando não realizada corretamente trás problemas catastróficos para a população como um todo.

Imagem 5: Transamazônica
Por fim, o melhor para o final! A Rodovia Transamazônica (BR-230) é uma rodovia brasileira, projetada durante o governo do presidente Emílio Garrastazu Médici (1969 a 1974), sendo uma das chamadas "obras faraônicas" devido às suas proporções gigantescas, realizadas pelo regime militar.

Além dos fracassos econômicos e sociais do projeto, os custos ambientais em longo prazo foram enormes. Após a construção da Rodovia Trans-amazônica, o desmatamento brasileiro acelerou a níveis nunca antes vistos e vastas áreas de florestas foram desmatadas para agricultura de subsistência e criação de gado. A Rodovia Transamazônica é um exemplo dos estragos ambientais causados pela construção de estradas na floresta.

BIBLIOGRAFIA:


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

CLUBE DE ROMA

Continuando com a nossa passagem histórica, temos para apresentar o clube de Roma.

O Clube de Roma é um grupo de pessoas ilustres que se reúnem para debater um vasto conjunto de assuntos relacionados a política, economia internacional e , sobretudo, ao meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Em abril de 1968, um pequeno grupo internacional de profissionais das áreas de diplomacia, indústria, academia e sociedade civil reuniram-se numa vila em Roma. Invitados pelo industrialista italiano Aurelio Peccei e o cientista escocês Alexander King, reuniram-se para discutir o dilema do pensamento que prevalece a curto prazo nas relações internacionais e, particularmente, as suas preocupações com relação ao consumo de recursos ilimitados num mundo em constante interdependência.

A função do Clube de Roma é debater as causas principais dos retos e as crises que o mundo enfrenta atualmente: o nosso conceito atual de crescimento, desenvolvimento e globalização. 


O Clube de Roma trabalha como uma plataforma na qual se encontram os acadêmicos, cientistas, políticos, empresários e membros da sociedade civil para planejar, desenvolver e implementar medidas efetivas relativas aos diversos temas globais inter-relacionados. Estes temas incluem a sustentabilidade ambiental, crescimento econômico, consumo de recursos, paz, segurança e demografia.

Tornou-se muito conhecido a partir de 1972, ano da publicação do relatório intitulado Os Limites do Crescimento, elaborado por uma equipe do MIT. O relatório, que ficaria conhecido como Relatório do Clube de Roma ou Relatório Meadows, tratava de problemas cruciais para o futuro desenvolvimento da humanidade tais como energia, poluição, saneamento, saúde, ambiente, tecnologia e crescimento populacional.


A conclusão do estudo: se a população mundial continuasse a consumir como na época, por consequência da industrialização, os recursos se esgotariam em menos de 100 anos. No início do século XXI, os problemas internacionais como a crescente desigualdade global, as consequências da mudança climática e o uso excessivo dos recursos naturais provou que os princípios fundamentais do Clube de Roma eram muito certos e reviveram o interesse nas atividades da organização: consumo ilimitado e crescimento perigoso num planeta com recursos limitados que não podem ser utilizados para sempre.

No mesmo ano em que a Organização das Nações Unidas realizava em Estocolmo, na Suécia, sua primeira conferência sobre o tema, em 1972, reunindo personalidades da ciência, da academia, da indústria, chefes de Estado e outros líderes, o grupo ganharia reconhecimento mundial com a publicação do relatório.

BIBLIOGRAFIA:

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

FELICIDADE INTERNA BRUTA

Desde 1971, o Butão rejeitou o PIB (produto interno bruto) como sendo a única forma de mensurar o progresso. Em seu lugar, tem defendido uma nova abordagem para o desenvolvimento, que mede a prosperidade por meio de princípios formais da felicidade interna bruta (FIB). O termo foi criado pelo rei do Butão Jigme Singye Wangchuck, em 1972, em resposta a críticas que afirmavam que a economia do seu país crescia miseravelmente. Esta criação assinalou o seu compromisso de construir uma economia adaptada à cultura do país, baseada nos valores espirituais budistas.

A Felicidade Interna Bruta foi dividida em nove categorias: 

  1. Bem-estar psicológico: Mede o otimismo que cada cidadão tem em relação a sua vida. É feita uma análise da autoestima, nível de stress e espiritualidade. 
  2. Saúde: Analisa as medidas de saúde implantadas pelo governo, exercícios físicos, nutrição e auto avaliação da saúde. 
  3. Uso do tempo: Incluem questões como o tempo que o cidadão perde no trânsito, divisão das horas entre o trabalho, atividades de lazer e educacionais. 
  4. Vitalidade comunitária: Entra na questão do relacionamento e das interações entre as comunidades. Analisa a segurança dentro da comunidade, assim como sensação de pertencimento e ações de voluntariado. 
  5. Educação: Sonda itens como participação na educação informal e formal, valores educacionais, educação no que se refere ao meio ambiente e competências. 
  6. Cultura: Faz uma análise de tradições culturais locais, festejos tradicionais, ações culturais, desenvolvimento de capacidades artísticas e discriminação de raça, cor, ou gênero. 
  7. Meio ambiente: Relação entre os cidadãos e os meios naturais como solo, ar e água. Estuda a acessibilidade para áreas verdes, sistemas para coletar o lixo e biodiversidades da comunidade. 
  8. Governança: Estuda a maneira da relação entre a população e a mídia, poder judiciário, sistemas de eleições e segurança. 
  9. Padrão de vida: Análise da renda familiar e individual, seguridade nas finanças, dívidas e qualidade habitacional. 




A conferência da ONU sobre a mudança climática, em Doha (2011), começava a ganhar força o duro alerta butanês de que o resto do mundo está numa rota suicida do ponto de vista ambiental e econômico. Em 2010, a ONU adotou o apelo do Butão por uma abordagem holística para o desenvolvimento, o que teve o aval de 68 países. Uma comissão analisa atualmente maneiras de replicar o modelo butanês da FIB em escala global.

A Felicidade Interna Bruta é mais facilmente entendida a partir de comparações e exemplos do que definido especificamente. Em Doha, o Butão estava sendo citado como um exemplo de nação em desenvolvimento que colocou a conservação ambiental e a sustentabilidade no centro da sua pauta política. Nos últimos 20 anos, o Butão dobrou sua expectativa de vida, matriculou quase 100% das suas crianças em escolas primárias e reformulou sua infraestrutura.

O país prometeu se manter neutro nas suas emissões de carbono, e garantiu que pelo menos 60% das suas terras permanecerão perpetuamente cobertas por florestas. O governo proibiu a exportação de madeira, e chegou a estimular um dia mensal do pedestre, em que todos os veículos particulares ficam proibidos de circular.
Seguindo o exemplo similar, foi em Uberlândia que usou, recentemente, uma pesquisa pelo FIB para verificar se é lugar de um povo feliz. Ela foi feita pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente no Bairro Luizote de Freitas, onde moram cerca de 20 mil pessoas. Após a aplicação, veio à constatação: mais de 97% das que foram ouvidas apresentaram índice alto de felicidade.

Para saber mais sobre o FIB acesse: http://www.felicidadeinternabruta.org.br/
BIBLIOGRAFIA:
  • http://pt.wikipedia.org/wiki/Felicidade_Interna_Bruta 
  • http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1198944-a-felicidade-interna-bruta-do-butao.shtml 
  • http://www.infoescola.com/sociedade/felicidade-interna-bruta-fib/ 
  • http://g1.globo.com/minas-gerais/triangulo-mineiro/noticia/2014/01/pesquisa-calcula-felicidade-interna-bruta-de-moradores-em-uberlandia.html 
  • Imagem: http://cathierineh.wordpress.com/2012/04/20/felicidade-interna-bruta/

TRATADO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA SOCIEDADES SUSTENTÁVEIS E RESPONSÁVEIS E RESPONSABILIDADE GLOBAL

Durante a ECO 92 (Fórum Global das ONGs - Organizações Não-Go­vernamentais) ecologistas e educadores ambientais de todo o mundo reu­niram-se no Aterro do Flamengo, na cidade do Rio de Janeiro, para dis­cutir, entre ou­tros temas da mais alta relevância, os caminhos da edu­cação am­biental a nível planetário.
Após intensas discussões e várias reuniões em diferen­tes partes do mundo chegou-se a este tratado que, assim como a educação, é um processo dinâmico em permanente construção. Deve portanto propiciar a reflexão, o debate e a sua própria modifi­cação. O texto aprovado é o seguinte:
Nós signatários, pessoas de todas as partes do mundo, comprome­tidos com a proteção da vida na terra, reconhecemos o papel central da educação na formação de valores e na ação so­cial. Nos comprometemos com o processo educativo transformador através de envolvimento pes­soal, de nossas comunidades e nações para criar sociedades sustentá­veis e eqüitativas. Assim, tenta­mos trazer novas esperanças e vida para nosso pequeno, tumul­tuado mas ainda assim belo planeta.
I. Introdução
Consideramos que a educação ambiental para uma susten­tabilidade eqüitativa é um processo de aprendizagem permanente, baseado no res­peito a todas as formas de vida. Tal educação afirma valores e ações que contribuem para a transformação hu­mana e social e para a preser­vação ecológica. Ela estimula a formação de sociedades socialmente justas e ecologicamente equilibradas, que conservam entre si relação de interdependên­cia e diversidade. Isto requer responsabilidade indi­vidual e coletiva a nível local, nacional e planetário.
Consideramos que a preparação para mudanças necessárias depende de compreensão coletiva da natureza sistemática das crises que ameaçam o futuro do planeta. As causas primárias de problemas como o aumento da pobreza, da degradação humana e am­biental e da violência podem ser identificadas no modelo de ci­vilização dominante, que se baseia em su­perprodução e supercon­sumo para uns e em subconsumo e falta de con­dições para produ­zir por parte da grande maioria.
Consideramos que são inerentes à crise a erosão dos va­lores bá­sicos e a alienação e a não-participação da quase tota­lidade dos indi­víduos na construção de seu futuro. É fundamen­tal que as comunidades planejem e implementem suas próprias al­ternativas às políticas vigen­tes. Dentre essas alternativas está a necessidade de abolição dos pro­gramas de desenvolvi­mento, ajustes e reformas econômicas que mantêm o atual modelo de crescimento, com seus terríveis efeitos sobre o am­biente e a diversidade de espécie, incluindo a humana.
Consideramos que a educação ambiental deve gerar, com urgência, mudanças na qualidade da vida e maior consciência de conduta pessoal, assim como harmonia entre os seres humanos e destes com outras formas de vida.

II. Princípios da Educação para Sociedades Sustentáveis e Res­ponsabilidade Global
1. A educação é um direito de todos: somos todos apren­dizes e educadores.
2. A educação ambiental deve ter como base o pensamento crítico e inovador, em qualquer tempo ou lugar, em seus modos formal, não-for­mal e informal, promovendo a transformação e a construção da socie­dade.
3. A educação ambiental é individual e coletiva. Tem o propó­sito de formar cidadãos com consciência local e planetá­ria, que res­peitem a autodeterminação dos povos e a soberania das nações.
4. A educação ambiental não é neutra, mas ideológica. É um ato político, baseado em valores para a transformação so­cial.
5. A educação ambiental deve envolver uma perspectiva holís­tica, enfocando a relação entre o ser humano, a natureza e o universo de forma interdisciplinar.
6. A educação ambiental deve estimular a solidariedade, a igualdade e o respeito aos direitos humanos, valendo-se de estratégias democráticas e interação entre as culturas.
7. A educação ambiental deve tratar as questões globais críti­cas, suas causas e interrelações em uma perspectiva sistê­mica, em seu contexto social e histórico. Aspectos primordiais relacionados ao de­senvolvimento e ao meio ambiente tais como: população, saúde, paz, di­reitos humanos, democracia, fome, de­gradação da flora e fauna devem ser abordados dessa maneira.
8. A educação ambiental deve facilitar a cooperação mú­tua e eqüitativa nos processos de decisão, em todos os níveis e etapas.
9. A educação ambiental deve recuperar, reconhecer, respeitar, refletir e utilizar a história indígena e culturas locais, assim como promover a diversidade cultural, lingüística e ecológica. Isto implica em uma revisão da história dos povos nativos para modificar os enfo­ques etnocêntricos, além de esti­mular a educação bilíngüe.
10. A educação ambiental deve estimular e potencializar o poder das diversas população, promover oportunidades para as mudanças demo­cráticas de base que estimulem os setores popula­res da sociedade. Isto implica que as comunidades devem retomar a condução de seus próprios destinos.
11. A educação ambiental valoriza as diferentes formas de co­nhecimento. Este é diversificado, acumulado e produzido socialmente, não devendo ser patenteado ou monopolizado.
12. A educação ambiental deve ser planejada para estimular as pessoas a trabalharem conflitos de maneira justa e hu­mana.
13. A educação ambiental deve promover a cooperação e o diálogo entre indivíduos e instituições, com a finalidade de criar novos modos de vida, baseados em atender às necessidades básicas de todos, sem distinções étnicas, físicas, de gênero, idade, religião, classe ou mentais.
14. A educação ambiental requer a democratização dos meios de comunicação de massa e seu comprometimento com os in­teresses de todos os setores da sociedade. A comunicação é um direito inalienável e os meios de comunicação de massa devem ser transformados em um canal pri­vilegiado de educação, não so­mente disseminando informações em bases igualitárias, mas tam­bém promovendo intercâmbio de experiências méto­dos e valores.
15. A educação ambiental deve integrar conhecimentos, aptidões, valores, atitudes e ação. Deve converter cada opor­tunidade em expe­riências educativas de sociedades sustentáveis.
16. A educação ambiental deve ajudar a desenvolver uma cons­ciência ética sobre todas as formas de vida com as quais compartilha­mos este planeta, respeitar seus ciclos vitais e im­por limites à ex­ploração dessas formas de vida pelos seres hu­manos.

III. Plano de Ação
As organizações que assinam este Tratado se propõem a implemen­tar as seguintes diretrizes:
1. Transformar as declarações deste Tratado e dos de­mais produ­zidos pela Conferência da Sociedade Civil durante o processo do RIO 92 em documentos a serem utilizados na rede formal de ensino e em progra­mas educativos dos movimentos so­ciais e suas organizações.
2. Trabalhar a dimensão da educação ambiental para so­ciedades sustentáveis em conjunto com os grupos que elaboraram os demais Trata­dos aprovados durante a RIO 92.
3. Realizar estudos comparativos entre os tratados da sociedade civil e os produzidos pela Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Utilizar as con­clusões em ações educati­vas.
4. Trabalhar os princípios deste Tratado a partir das realida­des locais, estabelecendo as devidas conexões com a rea­lidade planetá­ria, objetivando a conscientização para a trans­formação.
5. Incentivar a produção de conhecimentos, políticas, metodoló­gicas e práticas da Educação Ambiental em todos os es­paços de educação formal, informal e não-formal, para todas as faixas etárias.
6. Promover e apoiar a capacidade de recursos humanos para pre­servar, conservar e gerenciar o ambiente, como parte do exercício da cidadania local e planetária.
7. Estimular posturas individuais e coletivas, bem como pol¡ti­cas institucionais que revisem permanentemente a coerên­cia entre o que se diz e o que se faz, os valores de nossas culturas, tradições e his­tória.
8. Fazer circular informações sobre o saber e a memória popula­res; e sobre iniciativas e tecnologias apropriadas ao uso dos recursos naturais.
9. Promover a co-responsabilidade dos gêneros feminino e mascu­lino sobre a produção, reprodução e manutenção da vida.
10. Estimular e apoiar a criação e o fortalecimento de asso­ciações de produtores e de consumidores e redes de comer­cialização que sejam ecologicamente responsáveis.
11. Sensibilizar as populações para que constituam Con­selhos Populares de Ações Ecológicas e Gestão do Ambiente vi­sando investigar, informar, debater e decidir sobre problemas e políticas ambientais.
12. Criar condições educativas, jurídicas, organizacio­nais e políticas para exigir dos governos que destinem parte significativa de seu orçamento à educação e meio ambiente.
13. Promover relações de parceria e cooperação entre as ONGs e movimentos sociais e as agências da ONU (UNESCO, PNUNA, FAO, entre ou­tras), a nível nacional, regional e internacional, a fim de estabele­cer em conjunto as prioridades de ação para educação, meio ambiente e desenvolvimento.
14. Promover a criação e o fortalecimento de redes na­cionais, regionais e mundiais para realização de ações conjun­tas entre organi­zações do Norte, Sul, Leste e Oeste com pers­pectiva planetária (exemplos: dívida externa, direitos humanos, paz, aquecimento global, população, produtos contaminados).
15. Garantir que os meios de comunicação se transformem em ins­trumentos educacionais para a preservação e conservação de recursos naturais, apresentando a pluralidade de versões com fidedignidade e contextualizando as informações. Estimular transmissões de programas gerados por comunidades locais.
16. Promover a compreensão das causas dos hábitos con­sumidores e agir para a transformação dos sistemas que os sus­tentam, assim como para a transformação de nossas próprias prá­ticas.
17. Buscar alternativas de produção autogestionária apropriadas econômica e ecologicamente, que contribuam para uma melhoria da quali­dade de vida.
18. Atuar para erradicar o racismo, o sexismo e outros precon­ceitos; e contribuir para um processo e reconhecimento da diversidade cultural, dos direitos territoriais e da autodeter­minação dos povos.
19. Mobilizar instituições formais e não-formais de educação superior para o apoio ao ensino, pesquisa e extensão em educação am­biental e a criação, em cada universidade, de centro interdisciplina­res para o meio ambiente.
20. Fortalecer as organizações e movimentos sociais como espa­ços privilegiados para o exercício da cidadania e me­lhoria da quali­dade de vida e do ambiente.
21. Assegurar que os grupos de ecologistas popularizem suas atividades e que as comunidades incorporem em seu coti­diano a questão ecológica.
22. Estabelecer critérios para a aprovação de projetos de edu­cação para sociedades sustentáveis, discutindo priorida­des sociais junto às agências financiadoras.

IV. Sistemas de Coordenação Monitoramento e Avaliação
 Todos os que assinam este Tratado concordam em:
1. Difundir e promover em todos os países o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabili­dade Global, através de campanhas individuais e coletivas pro­movidas por ONGs, mo­vimentos sociais e outros.
2. Estimular e criar organizações, grupos de ONGs e Mo­vimentos Sociais para implantar, implementar, acompanhar e ava­liar os elementos deste Tratado.
3. Produzir materiais de divulgação deste Tratado e de seus desdobramentos em ações educativas, sob a forma de textos, cartilhas, cursos, pesquisas, eventos culturais, programas na mídia, feiras de criatividade popular, correio eletrônico, e outros.
4. Estabelecer um grupo de coordenação internacional para dar continuidade às propostas deste Tratado.
5. Estimular, criar e desenvolver redes de educadores ambien­tais.
6. Garantir a realização, nos próximos três anos, do 10.  Encon­tro Planetário de Educação Ambiental para Sociedades Sus­tentáveis.
7. Coordenar ações de apoio aos movimentos sociais em defesa da melhoria da qualidade de vida, exercendo assim uma efetiva solidarie­dade internacional.
8. Estimular articulações de ONGs e movimentos sociais para re­ver suas estratégias e seus programas relativos ao meio ambiente e educação.

V. Grupos a Serem Envolvidos
 Este Tratado é dirigido para:
1. Organizações dos movimentos sociais-ecologistas, mu­lheres, jovens, grupos étnicos, artistas, agricultores, sindi­calistas, asso­ciações de bairro, e outros.
2. ONGs comprometidas com os movimentos sociais de ca­ráter po­pular.
3. Profissionais de educação interessados em implantar e imple­mentar programas voltados a questão ambiental tanto nas redes formais de ensino, como em outros espaços educacionais.
4. Responsáveis pelos meios de comunicação capazes de aceitar o desafio de um trabalho transparente e comunicação de massas.
5. Cientistas e instituições científicas com postura ética e sensíveis ao trabalho conjunto com as organizações dos movimentos so­ciais.
6. Grupos religiosos interessados em atuar junto às or­ganizações dos movimentos sociais.
7. Governos locais e nacionais capazes de atuar em sin­tonia/parceria com as propostas deste Tratado.
8. Empresários comprometidos em atuar dentro de uma ló­gica de recuperação e conservação do meio ambiente e de melho­ria da qualidade de vida humana.
9. Comunidades alternativas que experimentam novos es­tilos de vida condizentes com os princípios e propostas deste Tratado.

VI. Recursos
Todas as organizações que assinam o presente Tratado se compro­metem a:
1. Reservar uma parte significativa de seus recursos para o de­senvolvimento de programas educativos relacionados com a melhoria do ambiente e a qualidade de vida.
2. Reivindicar dos governos que destinem um percentual signifi­cativo do Produto Nacional Bruto para a implantação de programas de Educação Ambiental em todos os setores da adminis­tração pública, com a participação direta de ONGs e movimentos sociais.
3. Propor políticas econômicas que estimulem empresas a desen­volverem e aplicarem tecnologias apropriadas e a criarem programas de educação ambiental parte de treinamentos de pes­soal e para a comuni­dade em geral.
4. Incentivar as agências financiadoras a alocarem re­cursos significativos a projetos dedicados à educação ambien­tal; além de ga­rantir sua presença em outros projetos a serem aprovados, sempre que possível.
5. Contribuir para a formação de um sistema bancário planetário das ONGs e movimentos sociais, cooperativo e descen­tralizado, que se proponha a destinar uma parte de seus recur­sos para programas de edu­cação e seja ao mesmo tempo um exercí­cio educativo de utilização de recursos financeiros.
 Texto retirado do curso de Educação Ambiental - Prime Cursos.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

PROJETO MESA BRASIL

Hoje eu vou falar um pouco de um projeto realizado por uma parceria público-privada que particularmente me encanta. O Projeto Mesa Brasil não só faz seu papel social, levando a comida da mesa de pessoas com baixa renda, como também utilizou o princípio da reutilização com os alimentos, mostrando que é possível reaproveitar alimentos que não são bem vistos esteticamente nas mesas os demais brasileiros, mas que tem o seu valor nutricional e pode alimentar mais pessoas combatendo a escassez e o desperdício.

Como estudante de Engenharia Ambiental é meu dever não só estudar as causas dos impactos causados no meio ambiente, mas também estudar a sociedade que interage com esse meio e utilizar de métodos economicamente viáveis para equilibrar a convivência do ser humano com o ambiente. Esse projeto mostra que é economicamente viável combater o desperdício alimentando cada vez mais brasileiros fazendo assim a sua contraparte social.

O Mesa Brasil SESC (Serviço Social do Comercio) é um programa de segurança alimentar e nutricional sustentável, que redistribui alimentos excedentes próprios para o consumo ou sem valor comercial. Foi lançado em fevereiro de 2003 com o objetivo básico de combate à fome e ao desperdício de alimentos, partindo de uma experiência pioneira de colheita urbana implantada pelo Sesc em São Paulo na década de 1990.

A ideia é simples: busca onde sobra, entrega onde falta agregando valor nutricional às refeições que são servidas em milhares de entidades assistenciais, não permitindo que alimentos ainda próprios para o consumo humano tenham como destino o lixo.

O Programa é também uma ação conjunta que integra o SESC, empresas, instituições sociais e voluntárias no esforço de diminuição das carências alimentares e do desperdício de alimentos, com um papel pró-ativo: demonstra que é possí­vel minimizar os efeitos da fome e da desnutrição por meio de programas sociais práticos, a custo reduzido e aplicação imediata.

Tem caráter permanente, baseado na parceria e as responsabilidades são assumidas por todos os segmentos sociais envolvidos, respeitando-se suas especificidades. As instituições sociais fazem parte de um esforço conjunto para melhoria da qualidade de vida e da cidadania por meio da responsabilidade social compartilhada.

Atualmente constitui-se como uma Rede de Banco de Alimentos, integrada por 82 unidades operacionais, distribuídas nos 27 estados brasileiros, em todas as capitais e em cerca de 300 municípios do interior.


O que pode ser doado
Alimentos próprios para consumo, entre eles:
- frutas, legumes e verduras 
- frios e laticí­nios 
- grãos e cereais 
- enlatados e conservas 
- pães e massas 
- carnes e derivados 
- entre outros 

Produtos e serviços como:
- combustí­vel 
- material gráfico
- embalagens plásticas 
- empréstimo de veí­culos 
- divulgação
- transporte

O que não pode ser doado
- refeições prontas.
- doces e pães com recheios cremosos.
- alimentos com embalagens danificadas, data de validade vencida, fora das condições normais de uso.

Vantagens para o doador:

  1. Certificação de responsabilidade social no apoio ao MESA BRASIL Sesc;
  2. Isenção do ICMS (Decreto nº 41577, de 03 de maio de 2002 - DOE de 06.05.2002) para os produtos e serviços doados ao Programa Mesa Brasil Sesc;
  3. Diminuição dos custos com operações de logística e eliminação de produtos sem valor comercial;
  4. Eficiência na coleta e distribuição das doações seguindo as normativas vigentes da Vigilância Sanitária;
  5. Divulgação da marca nos meios de comunicação do programa;
  6. Contribuição para o não desperdício de alimentos, ou seja, sua empresa estará amenizando o impacto de resíduos no meio ambiente;
  7. Apoio a instituições sociais assistidas por nutricionistas e assistentes sociais;
  8. Transparência nas ações e prestação de contas.


Quem pode doar:

  1. Empresas doadoras de alimentos: centrais de distribuição, supermercados, armazéns, padarias, indústrias, entre tantas outras de atividade similar, que possuam alimentos excedentes ou sem valor comercial próprios para o consumo humano;
  2. Empresas ou organizações doadoras de serviços ou produtos: empresas de logísticas e postos de combustível;
  3. Instituições públicas ou privadas e associações que possam contribuir no desenvolvimento de ações educativas e demais serviços referentes à sua área de atuação;
  4. Campanhas e eventos: empresas, instituições públicas ou privadas, associações, agremiações, entre outras que desenvolvam eventos ou campanhas com fins de arrecadação de alimentos, produtos de higiene, limpeza, brinquedos ou vestuários;
  5. Voluntários: o programa recebe voluntários que podem auxiliar com ações educativas ou serviços.

Quem pode receber


  1. Instituições Sociais que disponham da seguinte documentação e critérios abaixo assinalados:
  2. CNPJ, Estatuto Social, Utilidade Publica, Plano de Trabalho e Registro no Conselho de Direito correspondente à atividade desenvolvida;
  3. Prestar atendimento gratuito. Os casos onde exista a cobrança de taxa contributiva serão analisados pela equipe técnica;
  4. Atender sem distinção de credo, etnia ou religião;
  5. Não ter vínculo político partidário;
  6. Preparar e servir a comida no prato;
  7. Possuir cozinha e despensa  adequados;
  8. Ter disponibilidade para participar de palestras e/ou outras ações educativas;
  9. Possuir disponibilidade para buscar as doações na Unidade do Programa


O Mesa Brasil SESC, como ação emergencial, baseia-se no princí­pio, já aceito internacionalmente, de que a alimentação é direito fundamental de todo e qualquer cidadão. Um direito social básico, mas que, lamentavelmente, não é garantido a todas as pessoas e por isso são necessárias ações que possam melhorar esta situação duplamente perversa: a fome e o desperdí­cio de alimentos. 


BIBLIOGRAFIA:

sábado, 1 de fevereiro de 2014

ECODESENVOLVIMENTO

O termo ecodesenvolvimento se define como um processo criativo de transformação do meio com a ajuda de técnicas ecologicamente prudentes, concebidas em função das potencialidades deste meio, impedindo o desperdício inconsiderado dos recursos, e cuidando para que estes sejam empregados na satisfação das necessidades de todos os membros da sociedade, dada a diversidade dos meios naturais e dos contextos culturais.

Criado por Ignacy Sachs em 1973 se popularizou principalmente a partir da Rio92 e mais pra frente evoluiu para o termo “desenvolvimento sustentável” mais usado atualmente.



Esse termo envolve uma crítica à sociedade industrial e está subdividido nos seguintes itens: Satisfação das necessidades básicas; solidariedade com as gerações futuras; participação da população envolvida; preservação dos recursos naturais e do meio ambiente; elaboração de um sistema social que garanta emprego, segurança social e respeito as outras culturas; programas de educação. Ignacy Sachs lançou alguns dos fundamentos do debate contemporâneo sobre a necessidade de um novo paradigma de desenvolvimento, baseado na convergência entre economiaecologiaantropologia cultural e ciência política.

Segundo Sachs, “É uma visão do desenvolvimento em que os objetivos são sempre os sociais, existe uma condicionalidade ambiental e, para que as coisas aconteçam, é preciso dar às propostas uma viabilidade econômica”.



Tendo mais de 50 anos de experiência na área do meio ambiente, em uma entrevista no Rio+20 (http://www.youtube.com/watch?v=loUWp_LzE3I), Sachs fala sobre a importância do evento como um itinerário para os planos de desenvolvimento eco-social dos países e não só como projetos científicos e abstratos.

Considerado como o pai do desenvolvimento sustentável ele trouxe o termo de ecodesenvolvimento como meio de reconciliar desenvolvimento humano e meio ambiente, indissociáveis um do outro, e que afirma a necessidade de se questionar às formas de desenvolvimento, geradores de pobreza e de degradações ambientais. “Os governos não decidem tudo. Na verdade vivemos em uma economia em que os empresários têm muito a dizer. Não vivemos em uma economia pública, mas sim em uma economia público-privada, na qual as decisões, os projetos, os investimentos não estão em uma só mão. Temos uma multiplicidade de atores que têm interesses distintos, muitas vezes conflitivos”.

BIBLIOGRAFIA: